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Milton H. Erickson e a confiança no inconsciente

milton

Por Susan de Toledo Hulley.

O cientista e biólogo norte-americano Bruce Lipton escreveu em seu livro “A Biologia da Crença” que o ambiente e as crenças do ser humano são responsáveis pela expressão do seu DNA e, consequentemente, de seus genes.

Com está declaração, Lipton afirmou que a percepção do indivíduo, suas expectativas e crenças formadas, são diretamente responsáveis por moldar a sua biologia e comportamento. No entanto, a mente consciente influencia em uma parcela muito pequena das decisões, emoções e ações. Para ser mais precisa, a mente consciente é responsável por apenas 5%, deixando os 95% a cargo da mente inconsciente.

Ele afirmou, também, que o inconsciente é um dos processadores mais poderosos que conhecemos, pois é capaz de observar o mundo que o circunda, como também ter consciência do corpo, ler sugestões ambientais e se engajar em comportamentos aprendidos e anteriormente adquiridos, sem a participação da mente consciente.

Por estranho que pareça, foi a mente inconsciente que se desenvolveu primeiro, antes do córtex pré-frontal consciente. Então, a maioria das nossas crenças, percepções e programas de comportamento foram adquiridos entre a gestação e os 6 anos de idade. Durante este período da infância, dois comprimentos de ondas cerebrais são predominantes: as ondas de Delta (0,5Hz) e as ondas Theta (4-8Hz).

Curiosamente, são as mesmas ondas cerebrais encontradas em estados de transe hipnótico. Isso acontece desta forma porque é neste período que a criança está assimilando muitas informações, parecida com um disco rígido de um novo computador. Infelizmente, também muitos dos comportamentos disfuncionais são adquiridos nessa idade e acabam tornando-se padrões de comportamento na vida adulta.

Por exemplo, um pai fica nervoso ao ver o seu filho de 5 anos caminhar para a sala com um copo cheio de leite e, no mesmo instante, grita para o filho não derrubar o copo, que ele não vai conseguir equilibrar o objeto e só vai estragar o tapete da sala. Dito e feito, o filho num transe que o pai o colocou com suas palavras, sem querer, derruba o leite e ouve o grito do pai chateado que sabia que ele ia fazer isso. Essa cena ficará gravada e junto com ela a percepção de que “sou desastroso”. A cena, como muitas outras, é arquivada no inconsciente.

É importante também saber que a mente inconsciente tem a capacidade de responder a mais de 40 milhões de impulsos nervosos por segundo,  enquanto o córtex pré-frontal da mente consciente responde a apenas 40 impulsos nervosos por segundo. Outro dado a considerar é que a mente
inconsciente reside no momento presente, “o aqui e agora”, enquanto a mente consciente opera mais no passado e projeta para no futuro seus anseios e temores, como também os seus sonhos e projetos.

Na Infância, a criança não possui o raciocínio lógico e crítico desenvolvidos e nem o pensamento linear, para compreender a dinâmica das suas relações sociais. Como uma esponja, ele absorve os acontecimentos a partir da sua perspectiva única e da sua busca por amor e aprovação.

Milton H. Erickson compreendeu bem essa dinâmica da mente humana e concluiu que, para mudar essas crenças e emoções limitantes, era necessário comunicar- se com a mente inconsciente. Ele também acreditava plenamente que cada ser humano tinha seus próprios recursos e habilidades para iniciar sua própria cura. Erickson era sinceramente curioso a respeito de seus clientes, suas experiências de vida, crenças, medos e sonhos, e, através destas descobertas, utilizava uma linguagem que melhor ressoava e facilitava essa comunicação com o inconsciente.

Para fazer isso, ele sabia que tinha que contornar as características lineares e lógicas da mente consciente. Erickson empregou o “rapport e o pacing”. Pacing em inglês significa acompanhar no mesmo compasso. Certa vez, um cliente foi a uma consulta com Milton H. Erickson, mas não parava de caminhar irrequieto pela sala do consultório. Não conseguindo entrar em “rapport” ou numa comunicação mais empática, na próxima sessão, Milton H. Erickson decidiu caminhar com ele pelo consultório. Conversaram enquanto caminhavam e, finalmente, no final da sessão, Erickson e seu cliente já se sentavam.

Ele conseguiu se comunicar ao se colocar no mundo do seu paciente. Milton não resistia ao cliente. Pelo contrário, entrava em transe com ele. Certa vez, Milton H. Erickson disse: “Eu entro em transe para me tornar mais sensível às entonações e inflexões na fala dos meus pacientes”.

Erickson usava sugestões indiretas, metáforas e histórias, sabendo que a capacidade da mente inconsciente do seu cliente saberia como adequar e utilizar estas novas informações para a sua própria evolução. Milton H. Erickson era confiante em relação a isso, para ele, apenas com um grau de mudança no padrão ou crença de uma pessoa, já era possível criar um efeito cascata.

Descobertas recentes mostram que o nosso cérebro tem uma plasticidade peculiar, isto significa que ele está em constante mutação. Já não se acredita que o cérebro é fixo e totalmente desenvolvido aos 17 anos. No entanto, é importante compreender que o nosso cérebro evoluiu de tal forma a garantir a sobrevivência da raça humana. Metaforicamente, o cérebro funciona como se fosse um teflon para percepções positivas e um velcro para as ameaças. Mas a mente inconsciente sempre dá preferência a um sinal reconfortante em detrimento a um sinal de perigo.
Nesse contexto, a Hipnose Ericksoniana ajuda o cliente a olhar o seu problema de uma forma mais positiva.

Concluindo, Milton H. Erickson dizia que as pessoas tinham seus problemas, tais como baixa autoestima, medos e sentimentos de incapacidade, devido aos limites aprendidos e que o propósito do transe é colocar a pessoa num estado de relaxamento no qual ela é capaz de acessar o seu próprio reservatório de infinitas possibilidades e potenciais. É nesse estado que ele acreditava que o terreno fértil da “cura” se encontrava. Erickson certamente era um homem a frente de seu tempo e as novas descobertas de pioneiros como Bruce Lipton e Joseph Chilton, já comprovam o que Milton já sabia na prática.



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